De onde vem o mal que nos confunde?

    Por que temos nos confundido tanto? Por que as coisas parecem tão difíceis de se entender? Vamos pensar sobre isso?

Nos últimos tempos, temos sido bombardeados com uma excessiva quantidade de informação, que supera a capacidade de processamento do cérebro humano. Isso não é novidade. Qualquer um de nós, que parar um pouco para pensar, vai perceber que isso é real e o quanto isso pode nos atrasar na nossa caminhada evolutiva.

E não vamos culpar os "inimigos invisíveis" da humanidade, que estariam desesperados para evitar nossa evolução.... Não. Me parece que o que nos falta, é seriedade, compromisso com nossas escolhas. Falta atitude adulta, madura.

Não precisa ser um “expert” em psiquismo humano para entender que não é possível continuarmos vivendo assim, sem que os resultados desastrosos se mostrem no nosso dia-a-dia. E já estão se mostrando. Nós, cegos, nos deixamos guiar por outros cegos, como bem desenhou José Saramago em seu "Ensaio sobre a cegueira".

O fenômeno da sensação de liberdade sem limites da Internet e das redes sociais está afastando as pessoas umas das outras. O sistema nos incita a exercer nosso direito à livre manifestação e nos escraviza na ciranda das telas de LED, entorpecendo nossas mentes com os mais baixos, torpes e  viciantes conteúdos.  Isso interfere na nossa vivência da encarnação como possibilidade de evolução. Essa evolução só pode acontecer, se conseguirmos amar, conviver, cuidar uns dos outros, durante o tempo determinado pela prova escolhida, ou aceita.

Todos nós produzimos certa quantidade de energias, que excede à nossa necessidade. Essa energia, se não conduzida à descarga adequada, ou seja, em direção a outro ser vivo, que careça dessa energia específica, vai gerar um acúmulo, um excesso, que vai causar sensação de angústia. Essa sensação de angústia, que gera ansiedade, só passa quando a descarga eficiente acontece.  Mas, o que temos visto, é um afastamento cada vez maior entre as pessoas. Cada um procurando a satisfação do ego, a realização dos próprios desejos, na loucura individualista cheia de direitos e vazia de amor. Não nos preocupamos com o bem-estar do outro, nem em buscar encontrar o sentido da nossa própria vida. Olhamos para a vida com os olhos da carne, alimentamos a carne e sufocamos o espírito.

Em 1914 Freud disse que nós precisamos amar, para não adoecer. “Estamos condenados a cair doentes, se em consequência da frustração, formos incapazes de amar”, disse ele, em um texto denominado “Sobre o narcisismo”.

Em 1945, no prefácio da obra Missionários da Luz, de Chico Xavier, Emmanuel já nos advertia sobre a atitude infantil dos nossos corações, que amam as palavras doces e fantasiosas, mas, se endurecem diante das verdades imutáveis da seriedade do trabalho de edificação espiritual. E essa edificação não se dá, senão pelo exercício do cuidado mútuo, da prática da caridade.

E hoje, 80 anos depois, nos pegamos encantados com o canto da sereia, que nos leva aos abismos da preguiça mental. Muito mais fácil nos divertirmos com as futilidades cotidianas, que buscarmos o conhecimento que verdadeiramente liberta, como prometeu Jesus (conhecereis a verdade e a verdade vos libertará).

Lamentavelmente, podemos ler no Livro dos Espíritos, que os espíritos negligentes desperdiçam a oportunidade de evoluir e permanecem na mesma posição (Resposta à questão 192a – Edição BesouroLux). Ou seja, é um fato, que entre nós (encarnados e desencarnados) há os que dormem, como dizia o Apóstolo Paulo na Primeira carta aos Coríntios, 11:30-34, referindo-se à fragilidade do posicionamento dos membros da igreja à época, diante das tentações do mundo material.

Então, com que olhos temos olhado para a vida e para as nossas responsabilidades? Com os olhos da matéria perecível, ou com os olhos do espírito imortal e em busca de evolução?

Eu até podia me calar, enquanto vivia na escuridão da ignorância. Mas, a luz me foi dada e meus olhos agora veem. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.

E me foi mandado falar.


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